Prometi a mim mesma que escreveria pelo menos duas vezes ao dia. Acabei de falar com um grande amigo, ele me deu dois presentes que não vou ter como retribuir: o primeiro foi a Nicole, filha dele, minha afilhada, minha princesa, meu orgulho e o segundo veio logo depois, na verdade esse presente eu meio que conquistei sozinha foi a amizade da irmã dele, a Chele.
Mas conversando com ele eu disse o que mais temia, mas também o que sinto pulsando forte dentro de mim: não sou mais a mesma. Aquela Aline que ele conheceu, e que disse que gosta como é não existe mais.
Uma parte dela ficou perdida em algum lugar e não tenho a mínima vontade de procurar. Eu disse a ele que a amiga que conheceu morreu e no fundo sei que a metáfora é verdadeira. Eu nasço de novo a cada manhã, a cada nova descoberta, a cada encontro ou reencontro.
Mas também morro a cada despedida, a cada final, a cada adeus que me dilacera a alma. Certa vez uma psicóloga me afirmou que eu vivo intensamente, não importa se a alegria ou a tristeza, eu preciso ir até o fim e me esgotar em todos os sentimentos. Eu estou plena hoje, não mais a mesma, aquela menina doce e sonhadora ainda está por aqui, mas só na lembrança.
Eu sempre soube que escrever iria me fazer bem, sempre foi assim. Quando penso em um lugar no tempo e espaço fica difícil me encontrar. Parece que me perdi a apenas um segundo, ou há séculos. Já perdi as contas dos momentos em que não senti nada, apenas um vazio, devastador, que gela meus ossos. Refugiei-me nas palavras, fiz delas minha companhia constante, meu ombro amigo.
Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita um elogiou ou dinheiro em troca das palavras. Sim, é verdade. Um escritor nunca esquece porque nesse exato minuto, sua alma se perde.
Os amantes das palavras sabem que um livro aprisiona a alma daquele que o escreve e também daqueles que sonham com ele. A minha primeira vez aconteceu quando eu tinha 13 anos. Sentada nas escadas da casa da minha avó eu contei a uma folha de papel tudo o que sentia a dor da rejeição de uma menina doce e apaixonada.
Naquele instante percebi que a vida é como uma folha em branco. Ainda era jovem demais para perceber a força das palavras e o que elas significariam em minha vida. Somente anos mais tarde me tornei jornalista e me entreguei à escrita, me agarrei a ela como se fosse um colete salva-vidas para alguém a deriva no oceano gelado.
Se me perguntarem quando fui mais feliz, lembro como se fosse hoje da escada da minha avó, os degraus que guardavam os segredos da minha infância e da minha alma, que sempre estava a frente da minha idade.
Não que tivesse alma de velha em um corpo de criança. Não era isso, apenas sabia que podia e teria mais e estava em busca de você desde então. O começo é sempre o mais difícil.
É difícil dar o primeiro passo, deixar para trás o passado, ir embora, mas depois os passos se tornam automáticos. Quando falo que aquela menina morreu é porque tenho caminhado perdida em pensamentos.
E por isso estou aqui, a escrita para mim é simplesmente a melhor forma de me curar de toda a tristeza que invadiu meus dias. Meu chefe cantarolou hoje: "é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe" e ele tá certo. Eu realmente não sou mais a mesma, mas ainda estou inteira!
E as promessas que faço a mim mesma são como sempre as mais difíceis de ser cumpridas. É apenas o segundo dia, mas realmente consegui escrever, e isso me deixa excitada, quero fazer isso sempre, porque há muito tempo não me dedicava a algo que realmente me fizesse feliz! E agora aqui estou!

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