Sete dias sem aparecer por aqui, uma semana repleta de descobertas e redescoberta, estou fazendo a retrospectiva da rádio, consequentemente, a minha.
Às vezes eu gostaria de não me lembrar de cada detalhe, mas na verdade é o que sou, assim, e pronto. 2009 foi um ano repleto de primeiras vezes, de desafios, de recomeço, de despedidas, de adeus, de nunca mais, de até mais.
Um ano que vai marcar minha vida, pelos mesmos motivos dos anos anteriores, mas também por momentos que vão muito além de qualquer explicação. Uma palavra, um sorriso, um abraço, um beijo.
De quatro de janeiro a nove de agosto vivi uma vida que não condiz com meus sonhos, expectativas e nem sequer estava dentro da realidade do que sinto....21 de agosto, então foi uma das datas mais importantes da minha vida, foi a primeira vez que disse um até mais para minha melhor amiga.
A primeira vez que senti um aperto no peito ao pensar que não dormiria mais no quarto dela, que ela não estaria ali tão perto, a primeira vez que ela embarcou em um avião e voou doze horas para então ter uma segunda primeira vez, chegar a Itália, e isso sem nem sequer falar italiano, isso me fez pensar que compartilhamos tanto e tudo, sempre! Intensamente!
Lembrei de um texto de uma das minhas escritoras preferidas, Marta Medeiros.
“Quando falamos em virgindade, logo pensamos em sexo, e a partir do dia que o experimentamos, o mundo parece perder seu mistério maior. Não somos mais virgens! Que grande ilusão de maturidade. Virgindade é um conceito um tanto mais elástico. Somos virgens antes de voltar sozinhos do colégio pela primeira vez. Somos virgens antes do primeiro gole de vinho. Somos virgens antes de ver Paris. Somos virgens antes do primeiro salário.
E podemos já estar transando há anos e permanecermos virgens diante de um novo amor. Por mais que já tenhamos amado e odiado, por mais que tenhamos sido rejeitados, descartados, seduzidos, conquistados, não há experiência amorosa que se repita, pois são variadas as nossas paixões e diferentes as nossas etapas, e tudo isso nos torna novatos.
As dores, também elas, nos pegam despreparados. A dor de perder um amigo não é a mesma de perder um carro num assalto, que por sua vez não é a mesma de perder a oportunidade de se declarar para alguém, que por outro lado difere da dor de perder o emprego. Somos sempre surpreendidos pelo que ainda não foi vivido. Mesmo no sexo, somos virgens diante de um novo cheiro, de um novo beijo, de um fetiche ainda não realizado. Se ainda não usamos uma lingerie vermelha, se ainda não fizemos amor dentro do mar, se ainda cultivamos alguns tabus, que espécie de sabe-tudo somos nós?
Eu ainda sou virgem da neve, que já vi estática em cima das montanhas, mas nunca vi cair. Sou virgem do Canadá, da Turquia, da Polinésia. Sou virgem de helicóptero, Jack Daniels, revólver, análise, transa em elevador, LSD, Harley Davidson, cirurgia, rafting, show do Lenny Kravitz, siso e passeata.
A virgindade existencial nos acompanha até o fim dos nossos dias, especialmente no último, pois somos todos castos frente à morte, nossa derradeira experiência inédita. Enquanto ela não chega, é bom aproveitar cada minuto dessa nossa inocência frente ao desconhecido, pois é uma aventura tão excitante quanto o sexo e não tem idade para acontecer.”
Assim, 2009, que está quase no final valeu a pena, simplesmente pela alegria de acordar todas as manhãs, de sorrir, por perceber que sou mais forte, mais feliz e mais vibrante do que sequer imaginei um dia....2009 foi repleto de alegrias, de aventuras, de segundas chances, de ponto e vírgula e eu vivi tudo exatamente como tinha que ser....

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