RETROSPECTIVA 2009
2009 chegou ao final e está na hora de passar o meu ano a limpo. Não foi um ano qualquer, nunca é, nem mesmo igual, ou sequer parecido com os demais. Foi único, especial, e me marcou demais, por “razões” que estão longe de qualquer explicação racional. Eu vivi intensamente como sempre, foi um ano repleto de primeira vez, de inúmeras perdas, alguns até breve, despedidas e adeus. Teve amor, cumplicidade, segredos, pele, química, mentiras, confusão, vidros quebrados, corações ao pedaços, diversão, folia, loucuras, ciúmes, brigas, mal entendidos, desculpas sinceras, conversas intermináveis de madrugada, abraços, beijos, roda gigante, viagens, praia, campo, piscina, acampamento, festa, travessuras, medo, alegria, tristeza, esperança, raiva, perdão, chocolate, um porre, muitas lágrimas e sorriso, em dobro, daqueles de chorar e se dobrar de tanto rir. Surpresas, decepções, aprendizado, caminhos, escolhas como em todos os outros anos. Mas 2009 foi o ano em que fui eu mesma mais intensamente, e também o ano em que não me conheci mais, o ano em que deixei que o menos importante fosse essencial. E entro em 2010 sem ser mais a mesma, não sou a de antes, nem a que não conheço, nem a que fui um dia, e jamais voltarei a ser, deixei algumas ilusões pelo caminho, cresci muito, escolhi o melhor, o idealismo está aqui, mais forte do que nunca, mas me despi de todas as neuras e lavei a alma. Briguei, gritei, chutei o balde, fui grossa, estúpida, tive momentos de total irritabilidade, fui infantil, egoísta, teimosa e birrenta, não uma, mas muitas vezes. E as pessoas ao meu redor, as que realmente se importam não me deixaram, elas ficaram. Riram das minhas crises de TPM e dos meus ataques contínuos, me abraçaram, me encheram de beijos, tiveram calma e paciência comigo, e assim pela primeira vez na vida consegui ser tolerante com o mundo e comigo, perdoei minhas falhas e meus erros, aceitei meus defeitos. Contei algumas mentiras, e não me digam que nunca mentiram, porque vão estar mentindo agora. Contei sim, algumas para escapar de enrascadas, e outras as mais doídas, porque a verdade é cruel e algumas pessoas não aguentam o peso da realidade e a pior de todas as mentiras foram aquelas nas quais acreditei. Sim, erro primário, mas todos precisam passar por isso um dia e a lição fica para sempre. E por falar a verdade, bem mais que mentir, me meti em confusões e roubadas, simplesmente, porque não filtro e acabo falando demais (ninguém percebeu que falo demais, devo ter nascido com um fio de telefone, ao invés de cordão umbilical). Claro, esqueci falei muito ao telefone, horas e horas intermináveis de conversas malucas. Em 2009 eu sonhei. Sonhei acordada, criei um enredo fascinante, poderia até concorrer ao Oscar, porque vivi essa história como se fosse a mais pura realidade. Me entreguei a emoção e ao amor de corpo e alma e aí é claro que a emoção venceu o restinho de razão que existia em mim. Fui menina, mulher, mulher, menina e no final das contas deixei a menina de lado, porque oscilar entre as duas me cansa demais, mas não me engano, sei que ela está aqui, mais travessa e esperta do que nunca. Apesar de saber a sutil diferença entre o sentir, o querer, o poder e o fazer, só me importo com o sentir, e esquece todo o resto. Ser flexível comigo mesma é algo que estou ainda aprendendo. Inquietude é algo que só me deixa em paz quando escrevo, ou quando leio. Se eu não tivesse passado o ano travando uma luta insana comigo mesma, jamais teria esquecido momentaneamente que isso para mim é um vício e a abstinência me faz cometer loucuras. Aliás, a loucura teve papel essencial na minha vida, em todos os meus atos e até mesmo naqueles que deixei de fazer. E não é que eu gosto disso, simplesmente, porque a loucura é a total lucidez, quando você se liberta das amarras que te prendem ao chão. Eu sorri, muito e fui sincera em tudo. Me declarei, beijei e abracei todas as pessoas mais raras do mundo, pelo menos para mim, e conto elas nos dedos, e não me arrependo de absolutamente nada, e assim, como fui insuportável também fui meiga, leal e amiga. Falei muito, demais, mas também ouvi. E o saldo é positivo, eu senti, tudo, tristeza, alegria, dor e amor. Na mesma medida, e mais uma vez a emoção liderou, e em 2010, é assim que vai ser, porque eu sou emoção a flor da pele, hoje e sempre!
