Hoje li um texto sobre o que não é amar. E fui simplesmente obrigada a concordar que o que vivi até hoje nem de longe foi amor. A autora Sandra Maia descreveu muito bem “Não é amar: viver em função do outro, viver em uma confusão de pensamentos e sentimentos que tiram o foco, viver triste, com receio da perda, do abandono, da mentira, aceitar migalhas, viver se rastejando, falar o que não sente, conceder indefinidamente, adiar sonhos, encolher, esconder-se, deixar-se morrer, anular-se.” E isso me fez lembrar com detalhes todos nítidos, e admitir para o mundo, mas principalmente para mim mesma, que nunca amei de verdade. Que fique claro que falo do amor entre duas pessoas apenas, porque amo muito meus pais, meu irmão, minha família, amigas, amigos, afilhadas. Mas amar outro alguém, até acreditei nisso, até falei isso, e quis muito, mas apenas amei a ideia de amar, e idealizei, o amor. Vivi paixão, excitação, desejo, loucura, mas amor, nem pensar. A autora vai ainda mais longe “Essas situações mantém-nos reféns, nos fazem infantis, desajustados. Essas escolhas nos tornam eternos infelizes, vítimas, nos colocam no chão - abaixo do asfalto, abaixo do aceitável...” Quando li não pude deixar de pensar em um dia em que gritei com uma das pessoas mais importantes da minha vida, é você mesma Cheluka, gritei porque ela me dizia a verdade, e eu queria que a minha verdade fosse real e não era, e eu justificava as minhas atitudes e as de um certo alguém, desculpas como ele não sabe o que fazer, ele me quer, mas não sabe como, e mais mil e uma desculpas, para não ver a realidade, eu buscava algo que sequer existia, e vivia com medo de perder, e travei, e perdi o foco, o caminho, e então voltei a rota certa, com mais rapidez do que realmente acreditei que fosse capaz. Sandra afirma ainda, com a minha total concordância: “NÃO É NORMAL viver querendo morrer... Relações com essa dinâmica viciam. São como um THRILLER - cheias de EMOÇÃO, DE ALTOS E BAIXOS, DE PAIXÃO, VIDA E MORTE. Atraem por ser SUPER, SOBRENATURAIS, ENIGMÁTICAS... Fazem-nos viver na ilusão fora da realidade, nos esquecer da verdade, do ser, do amor verdadeiro. Enganamo-nos...” e nos expomos ao ridículo, ao absurdo. “Não há harmonia, dedicação, responsabilidade. Há apenas soluços, idas e vindas, rompimentos, desespero, confusão. Sandra brinca com as palavras e me brinda com a verdade o AMOR "é tranqüilo no que pode ser, quente no que deve ser..." É esse o amor que podemos escolher: sem sobressaltos, sem dor, sem tristeza, um amor leve, livre, solto, um amor que vem para ficar, para uma vida, para o tempo que durar...Um amor que, sim, terá altos e baixos, conquistas e derrotas. Mas que se sobressai a todos os percalços que a vida um dia traz. Permanece...” E admito, esse amor eu não cheguei sequer perto de conhecer, e o melhor disso tudo, é a certeza que emana até mesmo da minha pele....eu aindo acredito nele, sei que ele tá ali, e é apenas esse amor que me interessa, amor que venha para somar, não que divida, ou diminua, amor que faça bem, que descubra o jeito certo do meu jeito, sem retoques, no encaixe certo, amor, de verdade.