Sala de Recuperação
Estou de volta, após vários compromissos, revelações quase inconfessáveis, apenas um compromisso, é isso mesmo, sou repórter nata, a assessoria precisava de dedicação total, pretendo e vou fazer pós, e ainda tenho mil planos na minha mente que não pará um segundo sequer, mas na verdade o que realmente me parou, literalmente me deixou de cama, por quinze dias, aos 28 aninhos, com as perninhas para cima e bolsa de água quente, foi uma hérnia de disco. Fiquei longe da redação, do mundo real, da notícia, e confesso, quase pirei, me fechei em mim de um jeito, que só eu mesma posso explicar...o que posso tirar de positivo? O carinho da minha família, principalmente dos meus pais, mano e primas, a Ma então nem se fala, minha maninha, parceira mesmo. As mensagens, ligações, emails, abraços, piadas e colos de todos os meus amigos mais queridos e de toda a redação, e claro, atenção especial vinda do exterior, com certeza, não podia faltar. E livros, muitos, li em tempo recorde, primeiro em três dias, depois em dois, e por último em um, e é claro que para mim isso é um orgulho. A volta a rádio também foi um dos melhores momentos, perceber que lá é sim o meu lugar. E ontem ao sair de um pequeno procedimento, pude perceber a alegria até mesmo na sala de recuperação. Após um mês sentindo dor, estou realmente bem, e nem sequer essa irritante hérnia e a conseqüente ruptura do anel da vértebra (motivo de muitas piadas e buscas pelo malfeitor, porque cai na besteira de usar a palavra anel) conseguiram me roubar o sorriso e a alegria de viver, de estar viva. Como sempre, como tudo o que faço na minha vida, eu preciso sentir tudo até o fim, e analisar tudo ao meu redor, nos mínimos detalhes. Então comparei a sala de recuperação em que estava ontem a situações que vivi, e sim eu estava em uma sala de recuperação.....hoje eu olho para trás e às vezes eu me pergunto: afinal quem é você? E sei que as lágrimas de antes e demais, sim porque ela ainda vão vir um dia ou outro, jamais vão me dar resposta... o vento ou tempestade...nada disso importa, nada mais importa, nem mesmo não saber, porque eu me sinto livre para gritar, para correr, para amar, não mais presa a alguém que jamais conheci...

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